De Olho na CPI da Previdência - A CPI ouviu esta semana trabalhadores rurais e aposentados

Na política Nacional, de olho no Senado. Segue os trabalhos da CPI da Previdência.

A CPI da Previdência trouxe nesta segunda-feira (10) representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG, da Confederação Brasileira de Aposentados - COBAP e das áreas de engenharia sanitária e reciclagem de lixo.

Todos mostraram uma gritante diferença entre os números apresentados pelo governo para justificar a reforma da Previdência e a contabilidade real no orçamento da União. O senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul e presidente da CPI, destacou a falta de empenho do governo cobrar o que é descontado do trabalhador rural e não repassado à previdência. "O trabalhador quando vende o produto, ele vende no talão. O que compra desconta do trabalhador, paga a menos, mas não repassa para a Previdência. Tanto que os dados mostram que tanto na área rural, como urbana, chega a 25 bilhões por ano que eles desviam. E não repassam, mas descontam do trabalhador", conclui o senador.

Aristides Veras dos Santos, presidente da CONTAG, explicou que as Desonerações e Desvinculações de receita da União levam uma fortuna de dinheiro da Seguridade Social: " 827 bilhões, só ali que já foram desonerados ao longo de 10 anos, significa muito dinheiro da Previdência nessas desonerações. Tem a questão da DRU, é complicada. Porque, por exemplo, se o orçamento da Previdência, da seguridade Social, é deficitário, por que tem DRU? Por que era 20% e agora aumentaram para 30? Então, há muita contradição".

 Maurício Oliveira, da COBAP, explicou que não é a Previdência que sangra o Orçamento da União é sim os mais de 1 trilhão e 100 bilhões de reais pagos anualmente como juros e amortizações da dívida interna: "Todo ano, a União tem que cobrir o rombo do Orçamento Fiscal. Quase 40% de tudo que a União arrecada, tem de cobrir aquilo ali. E que dentro desse “todo orçamentário”, a Previdência ela representa só 22% do gasto".

O relator da CPI, senador Hélio José, do PMDB do Distrito Federal, afirma que o sistema financeiro é o grande defensor da reforma previdenciária:  "Eu creio que o governo terá juízo e que essa reforma da Previdência não prospere. Eu acho que ela está fundada em algumas premissas falsas colocadas por alguns interessados em posicionar o governo para atender parcela do sistema financeiro" conclui.

 A CPI da Previdência deve voltar a se reunir ainda nesta semana para discutir novas convocações.  As informações são da rádio Senado. E os Aposentados continuam acompanhando passo a passo desta CPI. 

A luta não se aposenta.