PREVIDÊNCIA OU MORTE? por José Veiga de Oliveira

 

Começo esta semana parodiando a famosa frase dita por Dom Pedro às margens do Ipiranga para uma reflexão sobre a nossa Previdência Social.

Testemunhamos todos os dias as tentativas para votarem a PEC 287. Alegam que a Previdência Social é a culpada do rombo nas contas públicas e já falaram que em 2022 os gastos serão 100% do orçamento. Fazem um alarde mentiroso junto com a grande mídia querendo que acre-ditemos que a Previdência Social causará a “morte” do estado brasileiro, quando na verdade são eles que estão causando a morte de milhões de trabalhadores que vão morrer para se aposentar. Como o governo justifica uma reforma baseada em projeções para décadas se não sabem nem a projeção de gastos para este ano? Pior, ainda culpam o povo!

E não é alarmismo da minha parte dizer isso. O governo pensa em projeções e números e ao apertar o botão sim em um projeto não tem ideia alguma do quando isso afeta a vida de todos, já vemos a reforma trabalhista, terceirização, o teto de gastos afetando as pessoas. Os projetos e discursos ficam ali na Câmara, mas a vida continua nas ruas com a luta diária de cada um dos brasileiros para ter uma vida minimamente justa e digna. 

Dados da Secretaria de Previdência Social mostram que, em 2016, quase 73% das aposentadorias por idade foram para trabalhadores de baixa renda que não contribuíram por 25 anos. Isso significa que, da forma como está a regra proposta na PEC (mínimo de contribuição 25 anos e 40 anos valor integral tanto para homens e mulheres), 8 em 10 trabalhadores não teriam direito ao benefício. O governo garantirá emprego a todos até a idade mínima para se aposentar? Nem precisamos de muitos cálculos para ver que morreremos para se aposentar e morreremos, se nada fizermos! 

O governo quer o desmonte da Previdência Social para entregar superávit previdenciário na ciranda financeira para pagar juros de dívidas públicas e viabilizar a privatização da Previdência Social. 

O brasileiro fica na miséria, mas enquanto isso o Poder Legislativo (Se-nado Federal e a Câmara de Deputados) custa R$ 1,16 milhão por hora aos cidadãos brasileiros, em todos os 365 dias do ano. Juntos, os 513 deputados custam em média R$ 86 milhões ao mês, e a um custo anual de R$ 1 bilhão. 

Somados, o salário e os benefícios de cada senador chegam a R$ 165 mil por mês. Juntos, os 81 senadores custam em média R$ 13,5 milhões ao mês e a um custo anual de R$ 160 milhões. E ainda eles têm a cara de pau de falarem que a Previdência Social é a culpada por afundar o Brasil? Não precisamos de cálculos e análises para saber quem afunda o Brasil não é o povo!

Em 2018, nosso lema é claro, traidores do povo não terão vez. Por isso, cabe a nós cobrar para que essa PEC não seja votada. Somos resistên-cia, somos força e juntos vamos mudar esse país. Não ao desmonte da Previdência Social!

* José Veiga de Oliveira – Presidente da FAPESP