Reformas de Temer e cortes em programas sociais colocaram 50 milhões de pessoas na miséria

O grupo de brasileiros que sofrem privações profundas aumentou nos últimos anos, quando o governo Temer usou a crise econômica para promover reformas e cortes no orçamento, nas áreas sociais e de benefícios, promovendo o maior desmonte nas leis trabalhistas (CLT) e na seguridade social (INSS).

 

Entre os principais desmontes estão: a PEC 241/16 dos gastos, que congela por 20 anos o financiamento na saúde e na educação; a Lei 13.467/17 da Reforma Trabalhista e Terceirização, que retirou direitos dos trabalhadores; e a PEC 287/16 da reforma da Previdência Social, que ainda não foi votada, mas Temer promete aprovar ainda este ano, depois das eleições.    

          

Segundo o professor de análise de políticas da Universidade de Bocconi (Itália), David Stcukler, “o programa é, devastador. Maior do que o que vimos na Europa, exceto na Grécia. A afirmação foi feita à revista Carta Capital, publicação de 21 de agosto deste ano.

 

A partir de 2016, mais de 50 milhões de brasileiros passaram a viver em situação de pobreza, com uma renda de 387 reais por mês, de acordo com o IBGE.

 

Quando o governo atual assumiu, implementou o maior pente fino da sua história no programa Bolsa Família e na Previdência Social. Em julho, o governo anunciou a suspensão de 450.258 benefícios previdenciários, sendo 341.746 auxílios-doença e 108.512 aposentadorias por invalidez, que totalizam 9,6 bilhões de reais. Até o fim do ano serão revisados 552.998 auxílios-doença e 1.004.886 aposentadorias por invalidez.

 

No Bolsa Família, em dois anos foram excluídas 5,2 milhões de famílias. O programa beneficiou cerca de 14 milhões de famílias em 2013 - o que equivale a um quarto da população do pais. “O programa é reconhecido internacionalmente como um dos maiores e mais bem-sucedidos do mundo”, disse Stuckler.

 

Como resultado da política de Temer, que prioriza o grande capital em detrimento da população brasileira, o número de desempregados que desistiram de procurar emprego bate recorde (IBGE 16/8). A taxa de desalentados chegou a 4,4% no segundo trimestre, um total de 4.833 milhões de pessoas que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar.

 

No trimestre, a taxa de subutilização da força de trabalho, que inclui os desempregados, os desalentados e os que gostariam de trabalhar mas não procuram trabalho, foi de 24,6%, que representa 27,6 milhões de pessoas, segundo o IBGE. 

Por Luiz Legnãni-Diretor de Relações Públicas e Convênios da FEAPESC e Secretário geral da COBAP